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Funções Injetivas, Sobrejetivas e Bijetivas: 20 Exercícios Resolvidos Passo a Passo

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By Pimath, 12 Junho, 2026

Apresentamos uma coletânea de 20 exercícios resolvidos sobre funções injetivas, sobrejetivas e bijetivas, concebidos para compreender de forma rigorosa e progressiva três propriedades fundamentais das funções.

Recordamos brevemente que uma função \(f:A\to B\) se diz:

  • injetiva se elementos distintos do domínio têm imagens distintas;
  • sobrejetiva se todo elemento do contradomínio é imagem de pelo menos um elemento do domínio;
  • bijetiva se é simultaneamente injetiva e sobrejetiva.

Em fórmulas:

\[ f \text{ é injetiva} \iff \forall x_1,x_2\in A,\; f(x_1)=f(x_2) \Rightarrow x_1=x_2. \]

\[ f \text{ é sobrejetiva} \iff \mathrm{Im}(f)=\mathrm{Cod}(f). \]


Exercício 1 — nível ★☆☆☆☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=2x+1. \]

Determinar se \(f\) é injetiva.

Resultado

A função é injetiva.

Resolução

Para verificar se uma função é injetiva, devemos averiguar se dois elementos do domínio com a mesma imagem coincidem necessariamente.

Suponhamos, então, que:

\[ f(x_1)=f(x_2). \]

Como \(f(x)=2x+1\), obtemos:

\[ 2x_1+1=2x_2+1. \]

Subtraindo \(1\) de ambos os membros:

\[ 2x_1=2x_2. \]

Dividindo por \(2\):

\[ x_1=x_2. \]

Fica assim demonstrado que:

\[ f(x_1)=f(x_2)\Rightarrow x_1=x_2. \]

Portanto, a função é injetiva.


Exercício 2 — nível ★☆☆☆☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=x^2. \]

Determinar se \(f\) é injetiva.

Resultado

A função não é injetiva.

Resolução

Para mostrar que uma função não é injetiva, basta encontrar dois elementos distintos do domínio com a mesma imagem.

Consideremos:

\[ x_1=2, \qquad x_2=-2. \]

Claramente:

\[ 2\ne -2. \]

Calculemos agora as imagens:

\[ f(2)=2^2=4. \]

Além disso:

\[ f(-2)=(-2)^2=4. \]

Logo:

\[ f(2)=f(-2), \]

embora \(2\ne -2\).

Existem, portanto, dois elementos distintos do domínio com a mesma imagem.

Por conseguinte, a função não é injetiva.


Exercício 3 — nível ★☆☆☆☆

Consideremos a função:

\[ f:[0,+\infty)\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=x^2. \]

Determinar se \(f\) é injetiva.

Resultado

A função é injetiva.

Resolução

A lei da função é \(f(x)=x^2\), mas o domínio deixou de ser todo o \(\mathbb{R}\). Agora o domínio é:

\[ [0,+\infty). \]

Este detalhe é fundamental. Em todo o \(\mathbb{R}\), a função quadrática não é injetiva; restringida apenas aos números não negativos, contudo, passa a sê-lo.

Suponhamos que:

\[ f(x_1)=f(x_2). \]

Então:

\[ x_1^2=x_2^2. \]

Como \(x_1\) e \(x_2\) pertencem ambos a \([0,+\infty)\), são ambos não negativos.

Dois números não negativos com o mesmo quadrado devem coincidir.

Logo:

\[ x_1=x_2. \]

Portanto:

\[ f(x_1)=f(x_2)\Rightarrow x_1=x_2. \]

A função é, portanto, injetiva.


Exercício 4 — nível ★★☆☆☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=x^3. \]

Determinar se \(f\) é injetiva.

Resultado

A função é injetiva.

Resolução

Verifiquemos a injetividade usando a definição.

Suponhamos que:

\[ f(x_1)=f(x_2). \]

Como \(f(x)=x^3\), obtemos:

\[ x_1^3=x_2^3. \]

A função raiz cúbica está definida em todo o \(\mathbb{R}\). Podemos, então, extrair a raiz cúbica de ambos os membros:

\[ \sqrt[3]{x_1^3}=\sqrt[3]{x_2^3}. \]

Consequentemente:

\[ x_1=x_2. \]

Fica demonstrado que dois elementos com a mesma imagem coincidem necessariamente.

Portanto, a função é injetiva.


Exercício 5 — nível ★★☆☆☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=x^2+1. \]

Determinar se \(f\) é sobrejetiva.

Resultado

A função não é sobrejetiva.

Resolução

Uma função \(f:A\to B\) é sobrejetiva se todo elemento do contradomínio \(B\) é efetivamente atingido pela função.

Neste caso, o contradomínio é:

\[ \mathbb{R}. \]

Estudemos os valores assumidos por:

\[ f(x)=x^2+1. \]

Para todo \(x\in\mathbb{R}\), tem-se:

\[ x^2\ge 0. \]

Logo:

\[ x^2+1\ge 1. \]

A função assume apenas valores maiores ou iguais a \(1\).

Por exemplo, o número \(0\) pertence ao contradomínio \(\mathbb{R}\), mas nunca é atingido pela função.

Com efeito, a equação:

\[ x^2+1=0 \]

equivale a:

\[ x^2=-1, \]

que não tem soluções reais.

Existe, portanto, pelo menos um elemento do contradomínio que não é imagem de nenhum elemento do domínio.

Por conseguinte, a função não é sobrejetiva.


Exercício 6 — nível ★★☆☆☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to[1,+\infty), \qquad f(x)=x^2+1. \]

Determinar se \(f\) é sobrejetiva.

Resultado

A função é sobrejetiva.

Resolução

A lei da função é a mesma do exercício anterior:

\[ f(x)=x^2+1. \]

Contudo, o contradomínio mudou. Agora temos:

\[ f:\mathbb{R}\to[1,+\infty). \]

Para provar a sobrejetividade, devemos mostrar que todo elemento de \([1,+\infty)\) é atingido pela função.

Seja, então:

\[ y\in[1,+\infty). \]

Procuremos \(x\in\mathbb{R}\) tal que:

\[ f(x)=y. \]

Ou seja:

\[ x^2+1=y. \]

Subtraindo \(1\) de ambos os membros:

\[ x^2=y-1. \]

Como \(y\ge 1\), temos:

\[ y-1\ge 0. \]

Podemos, então, escolher:

\[ x=\sqrt{y-1}. \]

Este valor pertence a \(\mathbb{R}\). Além disso:

\[ f(\sqrt{y-1})=(\sqrt{y-1})^2+1=y. \]

Fica assim mostrado que todo elemento do contradomínio é imagem de pelo menos um elemento do domínio.

Portanto, a função é sobrejetiva.


Exercício 7 — nível ★★☆☆☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=2x-5. \]

Determinar se \(f\) é bijetiva.

Resultado

A função é bijetiva.

Resolução

Uma função é bijetiva se for simultaneamente injetiva e sobrejetiva.

Verifiquemos primeiro a injetividade.

Suponhamos que:

\[ f(x_1)=f(x_2). \]

Então:

\[ 2x_1-5=2x_2-5. \]

Somando \(5\) a ambos os membros:

\[ 2x_1=2x_2. \]

Dividindo por \(2\):

\[ x_1=x_2. \]

Logo, \(f\) é injetiva.

Verifiquemos agora a sobrejetividade.

Seja:

\[ y\in\mathbb{R}. \]

Procuremos \(x\in\mathbb{R}\) tal que:

\[ 2x-5=y. \]

Resolvendo:

\[ 2x=y+5, \]

logo:

\[ x=\frac{y+5}{2}. \]

Este valor é real para todo \(y\in\mathbb{R}\). Logo, todo elemento do contradomínio é atingido.

A função é sobrejetiva.

Sendo simultaneamente injetiva e sobrejetiva, a função é bijetiva.


Exercício 8 — nível ★★☆☆☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=x^2. \]

Determinar se \(f\) é bijetiva.

Resultado

A função não é bijetiva.

Resolução

Uma função é bijetiva se for simultaneamente injetiva e sobrejetiva.

Estudemos as duas propriedades separadamente.

A função não é injetiva. Com efeito:

\[ f(2)=2^2=4 \]

e:

\[ f(-2)=(-2)^2=4. \]

Logo:

\[ f(2)=f(-2), \]

embora \(2\ne -2\).

Logo, \(f\) não é injetiva.

Além disso, não é sobrejetiva em \(\mathbb{R}\), pois:

\[ x^2\ge 0 \qquad \forall x\in\mathbb{R}. \]

A função nunca assume valores negativos.

Por exemplo:

\[ -1\in\mathbb{R} \]

pertence ao contradomínio, mas não é imagem de nenhum elemento do domínio.

A função não é, pois, sobrejetiva.

Uma vez que não é injetiva nem sobrejetiva, não é bijetiva.


Exercício 9 — nível ★★★☆☆

Consideremos a função:

\[ f:(0,+\infty)\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=\ln(x). \]

Determinar se \(f\) é bijetiva.

Resultado

A função é bijetiva.

Resolução

Estudemos separadamente a injetividade e a sobrejetividade.

Verifiquemos primeiro a injetividade.

Suponhamos que:

\[ f(x_1)=f(x_2). \]

Então:

\[ \ln(x_1)=\ln(x_2). \]

A função logaritmo natural é estritamente crescente no intervalo:

\[ (0,+\infty). \]

Por conseguinte, dois logaritmos iguais implicam necessariamente:

\[ x_1=x_2. \]

A função é, portanto, injetiva.

Verifiquemos agora a sobrejetividade.

Seja:

\[ y\in\mathbb{R}. \]

Procuremos \(x\gt0\) tal que:

\[ \ln(x)=y. \]

Aplicando a exponencial a ambos os membros:

\[ x=e^y. \]

Como:

\[ e^y\gt0 \]

para todo \(y\in\mathbb{R}\), o valor encontrado pertence ao domínio.

Além disso:

\[ \ln(e^y)=y. \]

Logo, todo elemento do contradomínio é efetivamente atingido.

A função é sobrejetiva.

Sendo simultaneamente injetiva e sobrejetiva, a função é bijetiva.


Exercício 10 — nível ★★★☆☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to[0,+\infty), \qquad f(x)=x^2. \]

Determinar se \(f\) é sobrejetiva.

Resultado

A função é sobrejetiva.

Resolução

O contradomínio da função é:

\[ [0,+\infty). \]

Para verificar a sobrejetividade, devemos mostrar que todo elemento deste conjunto é atingido pela função.

Seja, então:

\[ y\in[0,+\infty). \]

Procuremos \(x\in\mathbb{R}\) tal que:

\[ x^2=y. \]

Como:

\[ y\ge0, \]

podemos escolher:

\[ x=\sqrt{y}. \]

Este valor pertence a \(\mathbb{R}\). Além disso:

\[ f(\sqrt{y})=(\sqrt{y})^2=y. \]

Todo elemento do contradomínio é, assim, atingido pela função.

Portanto, a função é sobrejetiva.


Exercício 11 — nível ★★★☆☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\setminus\{0\}\to\mathbb{R}\setminus\{0\}, \qquad f(x)=\frac{1}{x}. \]

Determinar se \(f\) é bijetiva.

Resultado

A função é bijetiva.

Resolução

Verifiquemos, em primeiro lugar, a injetividade.

Suponhamos que:

\[ f(x_1)=f(x_2). \]

Obtemos:

\[ \frac{1}{x_1}=\frac{1}{x_2}. \]

Multiplicando por \(x_1x_2\), que é diferente de zero, obtemos:

\[ x_2=x_1. \]

A função é, portanto, injetiva.

Verifiquemos agora a sobrejetividade.

Seja:

\[ y\in\mathbb{R}\setminus\{0\}. \]

Procuremos \(x\ne0\) tal que:

\[ \frac{1}{x}=y. \]

Resolvendo:

\[ x=\frac{1}{y}. \]

Como \(y\ne0\), este valor está bem definido e pertence ao domínio.

Além disso:

\[ f\left(\frac{1}{y}\right)=\frac{1}{\frac{1}{y}}=y. \]

A função é, portanto, sobrejetiva.

Sendo simultaneamente injetiva e sobrejetiva, a função é bijetiva.


Exercício 12 — nível ★★★☆☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=|x|. \]

Determinar se \(f\) é injetiva.

Resultado

A função não é injetiva.

Resolução

Para mostrar que uma função não é injetiva, basta encontrar dois elementos distintos do domínio com a mesma imagem.

Consideremos:

\[ x_1=3, \qquad x_2=-3. \]

Claramente:

\[ 3\ne -3. \]

No entanto:

\[ f(3)=|3|=3 \]

e:

\[ f(-3)=|-3|=3. \]

Logo:

\[ f(3)=f(-3), \]

embora:

\[ 3\ne -3. \]

A função não é, pois, injetiva.


Exercício 13 — nível ★★★★☆

Consideremos a função:

\[ f:[0,+\infty)\to[0,+\infty), \qquad f(x)=|x|. \]

Determinar se \(f\) é bijetiva.

Resultado

A função é bijetiva.

Resolução

No intervalo:

\[ [0,+\infty), \]

o valor absoluto coincide com a função identidade:

\[ |x|=x. \]

A função torna-se, então:

\[ f(x)=x. \]

Verifiquemos a injetividade.

Se:

\[ f(x_1)=f(x_2), \]

então:

\[ x_1=x_2. \]

A função é, portanto, injetiva.

Verifiquemos agora a sobrejetividade.

Seja:

\[ y\in[0,+\infty). \]

Basta escolher:

\[ x=y. \]

Com efeito:

\[ f(y)=y. \]

Todo elemento do contradomínio é, assim, atingido.

A função é sobrejetiva.

Portanto, a função é bijetiva.


Exercício 14 — nível ★★★★☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to[0,+\infty), \qquad f(x)=|x|. \]

Determinar se \(f\) é sobrejetiva.

Resultado

A função é sobrejetiva.

Resolução

Para verificar a sobrejetividade, devemos averiguar se todo elemento do contradomínio é atingido pela função.

O contradomínio é:

\[ [0,+\infty). \]

Seja, então:

\[ y\in[0,+\infty). \]

Devemos encontrar pelo menos um \(x\in\mathbb{R}\) tal que:

\[ |x|=y. \]

Como \(y\ge 0\), podemos escolher:

\[ x=y. \]

Com efeito:

\[ f(y)=|y|=y. \]

Logo, todo elemento do contradomínio \([0,+\infty)\) é efetivamente alcançado pela função.

Portanto, \(f\) é sobrejetiva.


Exercício 15 — nível ★★★★☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=x^3-1. \]

Determinar se \(f\) é bijetiva.

Resultado

A função é bijetiva.

Resolução

Para determinar se \(f\) é bijetiva, devemos verificar que é simultaneamente injetiva e sobrejetiva.

Estudemos primeiro a injetividade.

Suponhamos que:

\[ f(x_1)=f(x_2). \]

Como \(f(x)=x^3-1\), obtemos:

\[ x_1^3-1=x_2^3-1. \]

Somando \(1\) a ambos os membros:

\[ x_1^3=x_2^3. \]

Extraindo a raiz cúbica:

\[ x_1=x_2. \]

Logo, \(f\) é injetiva.

Verifiquemos agora a sobrejetividade.

Seja:

\[ y\in\mathbb{R}. \]

Procuremos \(x\in\mathbb{R}\) tal que:

\[ x^3-1=y. \]

Somando \(1\) a ambos os membros:

\[ x^3=y+1. \]

Extraindo a raiz cúbica:

\[ x=\sqrt[3]{y+1}. \]

Este valor é real para todo \(y\in\mathbb{R}\).

Além disso:

\[ f\left(\sqrt[3]{y+1}\right) = \left(\sqrt[3]{y+1}\right)^3-1 = y+1-1 = y. \]

Logo, todo elemento do contradomínio é atingido pela função.

A função é sobrejetiva.

Sendo simultaneamente injetiva e sobrejetiva, \(f\) é bijetiva.


Exercício 16 — nível ★★★★☆

Consideremos a função:

\[ f:[0,+\infty)\to[1,+\infty), \qquad f(x)=x^2+1. \]

Determinar se \(f\) é bijetiva.

Resultado

A função é bijetiva.

Resolução

Verifiquemos primeiro a injetividade.

Suponhamos que:

\[ f(x_1)=f(x_2). \]

Então:

\[ x_1^2+1=x_2^2+1. \]

Subtraindo \(1\) de ambos os membros:

\[ x_1^2=x_2^2. \]

Como \(x_1,x_2\in[0,+\infty)\), ambos são não negativos.

Dois números não negativos com o mesmo quadrado coincidem.

Logo:

\[ x_1=x_2. \]

A função é injetiva.

Verifiquemos agora a sobrejetividade.

Seja:

\[ y\in[1,+\infty). \]

Procuremos \(x\in[0,+\infty)\) tal que:

\[ x^2+1=y. \]

Obtemos:

\[ x^2=y-1. \]

Como \(y\ge 1\), temos \(y-1\ge 0\). Podemos, então, escolher:

\[ x=\sqrt{y-1}. \]

Tal valor pertence a \([0,+\infty)\). Além disso:

\[ f(\sqrt{y-1}) = (\sqrt{y-1})^2+1 = y. \]

A função é, pois, sobrejetiva.

Sendo simultaneamente injetiva e sobrejetiva, \(f\) é bijetiva.


Exercício 17 — nível ★★★★☆

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=x^2-4x+3. \]

Determinar se \(f\) é injetiva.

Resultado

A função não é injetiva.

Resolução

Para verificar se a função é injetiva, procuremos dois elementos distintos do domínio com a mesma imagem.

Calculemos:

\[ f(1)=1^2-4\cdot1+3=1-4+3=0. \]

Calculemos também:

\[ f(3)=3^2-4\cdot3+3=9-12+3=0. \]

Logo:

\[ f(1)=f(3), \]

mas:

\[ 1\ne 3. \]

Temos assim dois elementos distintos do domínio com a mesma imagem.

Por conseguinte, a função não é injetiva.

Observemos também a razão geométrica: completando o quadrado, obtemos:

\[ x^2-4x+3=(x-2)^2-1. \]

O gráfico é uma parábola com eixo de simetria \(x=2\). Por essa razão, em todo o \(\mathbb{R}\), a função assume frequentemente o mesmo valor em dois pontos distintos.


Exercício 18 — nível ★★★★★

Consideremos a função:

\[ f:[2,+\infty)\to[-1,+\infty), \qquad f(x)=x^2-4x+3. \]

Determinar se \(f\) é bijetiva.

Resultado

A função é bijetiva.

Resolução

Reescrevamos a função completando o quadrado:

\[ f(x)=x^2-4x+3=(x-2)^2-1. \]

O domínio é:

\[ [2,+\infty). \]

Neste intervalo, \(x-2\ge 0\). A função:

\[ (x-2)^2-1 \]

é estritamente crescente para \(x\ge 2\).

Verifiquemos a injetividade de modo direto.

Suponhamos que:

\[ f(x_1)=f(x_2). \]

Então:

\[ (x_1-2)^2-1=(x_2-2)^2-1. \]

Somando \(1\) a ambos os membros:

\[ (x_1-2)^2=(x_2-2)^2. \]

Como \(x_1,x_2\in[2,+\infty)\), temos:

\[ x_1-2\ge 0 \qquad\text{e}\qquad x_2-2\ge 0. \]

Dois números não negativos com o mesmo quadrado coincidem. Logo:

\[ x_1-2=x_2-2. \]

Logo:

\[ x_1=x_2. \]

A função é injetiva.

Verifiquemos agora a sobrejetividade.

Seja:

\[ y\in[-1,+\infty). \]

Procuremos \(x\in[2,+\infty)\) tal que:

\[ (x-2)^2-1=y. \]

Obtemos:

\[ (x-2)^2=y+1. \]

Como \(y\ge -1\), temos:

\[ y+1\ge 0. \]

Além disso, como \(x\ge 2\), devemos escolher a raiz não negativa:

\[ x-2=\sqrt{y+1}. \]

Donde:

\[ x=2+\sqrt{y+1}. \]

Este valor pertence a \([2,+\infty)\). Com efeito:

\[ 2+\sqrt{y+1}\ge 2. \]

Além disso:

\[ f(2+\sqrt{y+1}) = (2+\sqrt{y+1}-2)^2-1 = (\sqrt{y+1})^2-1 = y. \]

Todo elemento do contradomínio é, assim, alcançado.

A função é sobrejetiva.

Sendo simultaneamente injetiva e sobrejetiva, \(f\) é bijetiva.


Exercício 19 — nível ★★★★★

Consideremos a função:

\[ f:\mathbb{R}\setminus\{1\}\to\mathbb{R}\setminus\{2\}, \qquad f(x)=\frac{2x+1}{x-1}. \]

Determinar se \(f\) é bijetiva.

Resultado

A função é bijetiva.

Resolução

Para determinar se \(f\) é bijetiva, devemos verificar que é simultaneamente injetiva e sobrejetiva.

Verifiquemos primeiro a injetividade.

Suponhamos que:

\[ f(x_1)=f(x_2). \]

Então:

\[ \frac{2x_1+1}{x_1-1} = \frac{2x_2+1}{x_2-1}. \]

Como \(x_1\ne1\) e \(x_2\ne1\), podemos multiplicar em cruz:

\[ (2x_1+1)(x_2-1)=(2x_2+1)(x_1-1). \]

Desenvolvamos o primeiro membro:

\[ (2x_1+1)(x_2-1)=2x_1x_2-2x_1+x_2-1. \]

Desenvolvamos o segundo membro:

\[ (2x_2+1)(x_1-1)=2x_1x_2-2x_2+x_1-1. \]

Logo:

\[ 2x_1x_2-2x_1+x_2-1 = 2x_1x_2-2x_2+x_1-1. \]

Subtraindo \(2x_1x_2\) e somando \(1\) a ambos os membros:

\[ -2x_1+x_2=-2x_2+x_1. \]

Passemos os termos em \(x_1\) para um lado e os termos em \(x_2\) para o outro:

\[ -3x_1=-3x_2. \]

Dividindo por \(-3\), obtemos:

\[ x_1=x_2. \]

Logo, \(f\) é injetiva.

Verifiquemos agora a sobrejetividade.

Seja:

\[ y\in\mathbb{R}\setminus\{2\}. \]

Procuremos \(x\in\mathbb{R}\setminus\{1\}\) tal que:

\[ \frac{2x+1}{x-1}=y. \]

Multipliquemos por \(x-1\):

\[ 2x+1=y(x-1). \]

Desenvolvendo:

\[ 2x+1=yx-y. \]

Passemos os termos que contêm \(x\) para um lado:

\[ 2x-yx=-y-1. \]

Colocando \(x\) em evidência:

\[ x(2-y)=-(y+1). \]

Como \(y\ne2\), podemos dividir por \(2-y\):

\[ x=\frac{-(y+1)}{2-y}. \]

De modo equivalente:

\[ x=\frac{y+1}{y-2}. \]

Este valor é real para todo \(y\ne2\). Além disso, devemos verificar que pertence ao domínio, isto é, que é diferente de \(1\).

Se fosse:

\[ \frac{y+1}{y-2}=1, \]

teríamos:

\[ y+1=y-2, \]

ou seja:

\[ 1=-2, \]

o que é impossível.

Logo, o valor encontrado pertence sempre ao domínio.

Além disso, substituindo-o na função, obtém-se precisamente \(y\).

Todo elemento do contradomínio tem, portanto, pelo menos uma pré-imagem.

A função é sobrejetiva.

Sendo simultaneamente injetiva e sobrejetiva, \(f\) é bijetiva.


Exercício 20 — nível ★★★★★

Consideremos a função:

\[ f:\left(-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right)\to\mathbb{R}, \qquad f(x)=\tan(x). \]

Determinar se \(f\) é bijetiva.

Resultado

A função é bijetiva.

Resolução

Para determinar se \(f\) é bijetiva, devemos verificar que é simultaneamente injetiva e sobrejetiva.

Estudemos primeiro a injetividade.

No intervalo:

\[ \left(-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right) \]

a função tangente é estritamente crescente.

Uma função estritamente crescente associa imagens distintas a elementos distintos do domínio.

Logo, \(f\) é injetiva.

Verifiquemos agora a sobrejetividade.

O contradomínio é:

\[ \mathbb{R}. \]

Devemos mostrar que todo número real é atingido pela função.

Seja:

\[ y\in\mathbb{R}. \]

Procuremos \(x\in\left(-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right)\) tal que:

\[ \tan(x)=y. \]

A escolha natural é:

\[ x=\arctan(y). \]

Por definição, a função arcotangente assume valores no intervalo:

\[ \left(-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right). \]

Logo:

\[ \arctan(y)\in\left(-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right). \]

Além disso:

\[ \tan(\arctan(y))=y. \]

Temos assim, para todo \(y\in\mathbb{R}\), pelo menos um elemento do domínio cuja imagem é \(y\).

A função é sobrejetiva.

Sendo simultaneamente injetiva e sobrejetiva, \(f\) é bijetiva.


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