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Supremo e Ínfimo: 20 Exercícios Resolvidos Passo a Passo

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By Pimath, 1 Junho, 2026

O supremo e o ínfimo generalizam as noções de máximo e mínimo e constituem uma das ferramentas fundamentais para o estudo dos conjuntos numéricos.

Nos exercícios que se seguem aprenderemos a determinar majorantes, minorantes, supremo, ínfimo, máximo e mínimo através de exemplos resolvidos e comentados passo a passo.


Exercício 1 — nível ★☆☆☆☆

Determinar o conjunto dos majorantes, o conjunto dos minorantes, o supremo e o ínfimo de:

\[ A=(2,7). \]

Resultado

\[ \sup A=7,\qquad \inf A=2. \]

Conjunto dos majorantes:

\[ [7,+\infty). \]

Conjunto dos minorantes:

\[ (-\infty,2]. \]

Resolução

Os elementos do conjunto \(A=(2,7)\) são todos os números reais — e apenas esses — estritamente compreendidos entre \(2\) e \(7\).

Por definição, um majorante de \(A\) é um número real maior ou igual a todos os elementos do conjunto.

Uma vez que cada elemento de \(A\) é estritamente menor do que \(7\), o número \(7\) é um majorante.

Qualquer número maior do que \(7\) é também um majorante. Por conseguinte, o conjunto de todos os majorantes é:

\[ [7,+\infty). \]

O supremo é o menor dos majorantes. Como \(7\) é o primeiro elemento do conjunto dos majorantes, segue-se que:

\[ \sup A=7. \]

Consideremos agora os minorantes.

Um minorante é um número real menor ou igual a todos os elementos do conjunto.

Uma vez que cada elemento de \(A\) é estritamente maior do que \(2\), o número \(2\) é um minorante.

Qualquer número menor do que \(2\) é igualmente um minorante. Deste modo, o conjunto de todos os minorantes é:

\[ (-\infty,2]. \]

O ínfimo é o maior dos minorantes. Por conseguinte:

\[ \inf A=2. \]

Observemos, por fim, que \(2\notin A\) e \(7\notin A\). Por esta razão, o conjunto não possui mínimo nem máximo, embora tenha ínfimo e supremo.


Exercício 2 — nível ★☆☆☆☆

Determinar o conjunto dos majorantes, o conjunto dos minorantes, o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo de:

\[ A=[-3,4]. \]

Resultado

\[ \sup A=\max A=4. \]

\[ \inf A=\min A=-3. \]

Conjunto dos majorantes:

\[ [4,+\infty). \]

Conjunto dos minorantes:

\[ (-\infty,-3]. \]

Resolução

Os elementos do conjunto \(A=[-3,4]\) são todos os números reais compreendidos entre \(-3\) e \(4\), incluindo os extremos.

Assim:

\[ -3\leq x\leq 4 \qquad \forall x\in A. \]

Como cada elemento do conjunto é menor ou igual a \(4\), o número \(4\) é um majorante de \(A\).

Todos os números maiores do que \(4\) são também majorantes. Segue-se que o conjunto dos majorantes é:

\[ [4,+\infty). \]

O menor dos majorantes é \(4\). Por conseguinte:

\[ \sup A=4. \]

De forma análoga, como cada elemento de \(A\) é maior ou igual a \(-3\), o número \(-3\) é um minorante.

Todos os números menores do que \(-3\) são também minorantes. O conjunto dos minorantes é, portanto:

\[ (-\infty,-3]. \]

O maior dos minorantes é \(-3\), logo:

\[ \inf A=-3. \]

Observemos agora que tanto \(4\) como \(-3\) pertencem ao conjunto.

Consequentemente:

\[ \max A=4, \qquad \min A=-3. \]

Este exemplo mostra que, quando o supremo pertence ao conjunto, coincide com o máximo, e quando o ínfimo pertence ao conjunto, coincide com o mínimo.


Exercício 3 — nível ★☆☆☆☆

Determinar o conjunto dos majorantes, o conjunto dos minorantes, o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo de:

\[ A=[0,5). \]

Resultado

\[ \sup A=5, \qquad \inf A=\min A=0. \]

O máximo não existe.

Conjunto dos majorantes:

\[ [5,+\infty). \]

Conjunto dos minorantes:

\[ (-\infty,0]. \]

Resolução

Os elementos de \(A=[0,5)\) satisfazem:

\[ 0\leq x<5. \]

Consequentemente, \(5\) é um majorante do conjunto.

Além disso, qualquer número maior do que \(5\) é ainda um majorante. O conjunto dos majorantes é, portanto:

\[ [5,+\infty). \]

Nenhum número menor do que \(5\) pode ser um majorante, pois existem elementos do conjunto arbitrariamente próximos de \(5\).

Por conseguinte:

\[ \sup A=5. \]

Quanto aos minorantes, cada elemento do conjunto é maior ou igual a \(0\).

Assim:

\[ (-\infty,0] \]

é o conjunto de todos os minorantes.

O maior deles é \(0\), pelo que:

\[ \inf A=0. \]

Como \(0\in A\), segue-se imediatamente:

\[ \min A=0. \]

Pelo contrário, \(5\notin A\). Por esta razão, o conjunto não possui máximo.


Exercício 4 — nível ★★☆☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{\frac1n:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Resultado

\[ \sup A=\max A=1. \]

\[ \inf A=0. \]

O mínimo não existe.

Resolução

Os elementos do conjunto são:

\[ 1,\ \frac12,\ \frac13,\ \frac14,\ldots \]

Trata-se de uma sucessão estritamente decrescente de números positivos.

O maior valor é o primeiro:

\[ 1=\frac11. \]

Por conseguinte:

\[ \sup A=\max A=1. \]

Todos os elementos do conjunto são positivos, pelo que \(0\) é um minorante.

Mostremos que é o maior dos minorantes.

Seja \(\varepsilon>0\). Pela propriedade arquimediana existe \(n\in\mathbb N\) tal que:

\[ n>\frac1\varepsilon. \]

Daqui resulta:

\[ \frac1n<\varepsilon. \]

Encontrámos, assim, um elemento de \(A\) menor do que \(0+\varepsilon\).

Pela caracterização do ínfimo:

\[ \inf A=0. \]

Contudo, \(0\notin A\), pelo que o mínimo não existe.

Este é um dos exemplos clássicos em que o ínfimo existe mas não pertence ao conjunto.


Exercício 5 — nível ★★☆☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{\frac{n}{n+1}:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Resultado

\[ \inf A=\min A=\frac12. \]

\[ \sup A=1. \]

O máximo não existe.

Resolução

Observemos, em primeiro lugar, que:

\[ \frac{n}{n+1} = 1-\frac1{n+1}. \]

Os elementos do conjunto são, portanto:

\[ \frac12,\ \frac23,\ \frac34,\ \frac45,\ldots \]

A sucessão é crescente, visto que o termo \(\displaystyle \frac1{n+1}\) diminui à medida que \(n\) aumenta.

O primeiro elemento é:

\[ \frac12. \]

Sendo a sucessão crescente, nenhum elemento pode ser menor do que \(\frac12\).

Além disso, \(\displaystyle\frac12\in A\), pelo que:

\[ \inf A=\min A=\frac12. \]

Para todo o \(n\) tem-se:

\[ \frac{n}{n+1}<1. \]

Logo, \(1\) é um majorante do conjunto.

Mostremos que é o menor dos majorantes.

Seja \(\varepsilon>0\).

Pela propriedade arquimediana existe \(n\) tal que:

\[ \frac1{n+1}<\varepsilon. \]

Então:

\[ \frac{n}{n+1} = 1-\frac1{n+1} > 1-\varepsilon. \]

Pela caracterização do supremo segue-se que:

\[ \sup A=1. \]

Contudo, \(1\notin A\), pelo que o máximo não existe.


Exercício 6 — nível ★★☆☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{(-1)^n+\frac1n:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Resultado

\[ \sup A=\max A=\frac32. \]

\[ \inf A=-1. \]

O mínimo não existe.

Resolução

Convém distinguir os casos em que \(n\) é par dos casos em que \(n\) é ímpar.

Se \(n\) é par, então:

\[ (-1)^n+\frac1n = 1+\frac1n. \]

Obtemos, assim, os valores:

\[ \frac32,\ \frac54,\ \frac76,\ldots \]

Estes números são todos maiores do que \(1\) e decrescem para \(1\).

O maior obtém-se para \(n=2\):

\[ 1+\frac12=\frac32. \]

Por conseguinte:

\[ \sup A=\max A=\frac32. \]

Se, pelo contrário, \(n\) é ímpar:

\[ (-1)^n+\frac1n = -1+\frac1n. \]

Obtemos:

\[ 0,\ -\frac23,\ -\frac45,\ldots \]

O primeiro valor é \(0\), obtido para \(n=1\). Para os índices ímpares seguintes obtêm-se, em contrapartida, valores negativos que se aproximam progressivamente de \(-1\) sem nunca o atingirem.

O número \(-1\) é, portanto, um minorante do conjunto.

Além disso, para todo o \(\varepsilon>0\), escolhendo \(n\) ímpar suficientemente grande obtém-se:

\[ -1+\frac1n<-1+\varepsilon. \]

Pela caracterização do ínfimo:

\[ \inf A=-1. \]

Visto que nenhum elemento do conjunto é igual a \(-1\), o mínimo não existe.


Exercício 7 — nível ★★☆☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{x\in\mathbb R:x^2<9\right\}. \]

Resultado

\[ \sup A=3, \qquad \inf A=-3. \]

O conjunto não possui máximo nem mínimo.

Resolução

A condição:

\[ x^2<9 \]

equivale a:

\[ -3<x<3 \]

Por conseguinte:

\[ A=(-3,3). \]

Todos os elementos do conjunto são menores do que \(3\), pelo que \(3\) é um majorante.

Além disso, existem elementos do conjunto arbitrariamente próximos de \(3\), por exemplo:

\[ 3-\frac1n. \]

Nenhum número menor do que \(3\) pode, portanto, ser um majorante.

Logo:

\[ \sup A=3. \]

Com um raciocínio inteiramente análogo obtém-se:

\[ \inf A=-3. \]

Como nem \(3\) nem \(-3\) pertencem ao conjunto, não existem máximo nem mínimo.


Exercício 8 — nível ★★☆☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{x\in\mathbb R:x^2\leq9\right\}. \]

Resultado

\[ \sup A=\max A=3. \]

\[ \inf A=\min A=-3. \]

Resolução

A inequação:

\[ x^2\leq9 \]

equivale a:

\[ -3\leq x\leq3. \]

Por conseguinte:

\[ A=[-3,3]. \]

O número \(3\) é um majorante do conjunto.

Além disso, pertence ao próprio conjunto.

Segue-se que:

\[ \sup A=\max A=3. \]

De forma análoga, o número \(-3\) é um minorante e pertence ao conjunto.

Por conseguinte:

\[ \inf A=\min A=-3. \]

Este exercício põe em evidência a diferença entre intervalos abertos e intervalos fechados: ao acrescentar os extremos ao conjunto, surgem automaticamente o máximo e o mínimo.


Exercício 9 — nível ★★☆☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{x\in\mathbb R:1<x\leq 6\right\}. \]

Resultado

\[ \sup A=\max A=6. \]

\[ \inf A=1. \]

O mínimo não existe.

Resolução

O conjunto é formado por todos os números reais maiores do que \(1\) e menores ou iguais a \(6\).

Podemos, pois, escrever:

\[ A=(1,6]. \]

Cada elemento de \(A\) é menor ou igual a \(6\), pelo que \(6\) é um majorante do conjunto.

Como \(6\in A\), o número \(6\) é também o máximo do conjunto.

Por conseguinte:

\[ \sup A=\max A=6. \]

Consideremos agora o ínfimo.

Cada elemento de \(A\) é maior do que \(1\), pelo que \(1\) é um minorante.

Além disso, nenhum número maior do que \(1\) pode ser um minorante, porque os elementos do conjunto podem ser escolhidos arbitrariamente próximos de \(1\) pela direita.

Logo:

\[ \inf A=1. \]

Contudo, \(1\notin A\), pois a desigualdade é estrita.

Assim, o mínimo não existe.


Exercício 10 — nível ★★☆☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{x\in\mathbb R:x>-2\right\}. \]

Resultado

\[ \inf A=-2. \]

\[ \sup A=+\infty. \]

O conjunto não possui máximo nem mínimo.

Resolução

O conjunto contém todos os números reais maiores do que \(-2\). Assim:

\[ A=(-2,+\infty). \]

O conjunto não é majorado. Com efeito, qualquer que seja o número real \(M\) que se escolha, podemos tomar um número \(x\) maior tanto do que \(M\) como do que \(-2\). Desse modo, \(x\in A\) e \(x>M\).

Logo, não existe qualquer majorante real de \(A\).

Com a convenção habitual:

\[ \sup A=+\infty. \]

Estudemos agora os minorantes.

Cada elemento do conjunto é maior do que \(-2\), pelo que \(-2\) é um minorante.

Além disso, nenhum número maior do que \(-2\) pode ser um minorante, porque os elementos do conjunto podem aproximar-se tanto quanto se queira de \(-2\) pela direita.

Por conseguinte:

\[ \inf A=-2. \]

Visto que \(-2\notin A\), o mínimo não existe.

Além disso, não sendo o conjunto majorado, também não existe máximo.


Exercício 11 — nível ★★★☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{2-\frac1n:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Resultado

\[ \inf A=\min A=1. \]

\[ \sup A=2. \]

O máximo não existe.

Resolução

Escrevamos alguns elementos do conjunto:

\[ 1,\ \frac32,\ \frac53,\ \frac74,\ldots \]

Com efeito, para \(n=1\) obtém-se:

\[ 2-\frac11=1. \]

À medida que \(n\) cresce, o termo \(\displaystyle \frac1n\) diminui, pelo que \(2-\frac1n\) aumenta.

O menor valor é, pois, o primeiro valor, isto é, \(1\).

Como \(1\in A\), segue-se:

\[ \inf A=\min A=1. \]

Além disso, para todo o \(n\geq1\), tem-se:

\[ 2-\frac1n<2. \]

Logo, \(2\) é um majorante de \(A\).

Mostremos que é o menor dos majorantes.

Seja \(\varepsilon>0\). Pela propriedade arquimediana existe \(n\in\mathbb N\) tal que:

\[ \frac1n<\varepsilon. \]

Então:

\[ 2-\frac1n>2-\varepsilon. \]

Logo, existe um elemento de \(A\) maior do que \(2-\varepsilon\).

Pela caracterização do supremo:

\[ \sup A=2. \]

Visto que \(2\notin A\), o máximo não existe.


Exercício 12 — nível ★★★☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{\frac{2n+1}{n+1}:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Resultado

\[ \inf A=\min A=\frac32. \]

\[ \sup A=2. \]

O máximo não existe.

Resolução

Reescrevamos o termo geral numa forma mais útil:

\[ \frac{2n+1}{n+1} = \frac{2n+2-1}{n+1} = 2-\frac1{n+1}. \]

Assim:

\[ A=\left\{2-\frac1{n+1}:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Calculemos o primeiro elemento:

\[ 2-\frac12=\frac32. \]

À medida que \(n\) cresce, o termo \(\displaystyle \frac1{n+1}\) diminui, pelo que \(2-\displaystyle \frac1{n+1}\) aumenta.

Por conseguinte, o menor valor do conjunto é:

\[ \frac32. \]

Como este valor pertence ao conjunto, temos:

\[ \inf A=\min A=\frac32. \]

Além disso, para todo o \(n\geq1\), tem-se:

\[ 2-\frac1{n+1}<2. \]

Logo, \(2\) é um majorante.

Para demonstrar que \(2\) é o supremo, usamos a caracterização com \(\varepsilon\).

Seja \(\varepsilon>0\). Escolhamos \(n\) suficientemente grande de modo que:

\[ \frac1{n+1}<\varepsilon. \]

Então:

\[ 2-\frac1{n+1}>2-\varepsilon. \]

Logo, existe um elemento de \(A\) maior do que \(2-\varepsilon\).

Daqui resulta:

\[ \sup A=2. \]

Por fim, \(2\notin A\), porque \(\displaystyle \frac1{n+1}\) nunca é igual a \(0\). Por isso, o máximo não existe.


Exercício 13 — nível ★★★☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{\frac{n}{n+2}:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Resultado

\[ \inf A=\min A=\frac13. \]

\[ \sup A=1. \]

O máximo não existe.

Resolução

Reescrevamos o termo geral numa forma mais legível:

\[ \frac{n}{n+2} = \frac{n+2-2}{n+2} = 1-\frac{2}{n+2}. \]

Os elementos do conjunto são:

\[ \frac13,\ \frac24,\ \frac35,\ \frac46,\ldots \]

À medida que \(n\) cresce, o termo \(\displaystyle \frac{2}{n+2}\) diminui; logo, \(1-\displaystyle \frac{2}{n+2}\) aumenta.

O menor valor obtém-se para \(n=1\):

\[ \frac{1}{1+2}=\frac13. \]

Como \(\displaystyle \frac13\in A\), segue-se:

\[ \inf A=\min A=\frac13. \]

Além disso, para todo o \(n\geq1\), tem-se:

\[ \frac{n}{n+2}<1. \]

Logo, \(1\) é um majorante de \(A\).

Mostremos que \(1\) é o menor dos majorantes.

Seja \(\varepsilon>0\). Queremos encontrar um elemento de \(A\) maior do que \(1-\varepsilon\).

Como:

\[ \frac{n}{n+2}=1-\frac{2}{n+2}, \]

basta escolher \(n\) tal que:

\[ \frac{2}{n+2}<\varepsilon. \]

Tal é possível pela propriedade arquimediana.

Com essa escolha obtém-se:

\[ \frac{n}{n+2} = 1-\frac{2}{n+2} > 1-\varepsilon. \]

Pela caracterização do supremo:

\[ \sup A=1. \]

Por fim, \(1\notin A\), porque a igualdade \(\displaystyle \frac{n}{n+2}=1\) implicaria \(n=n+2\), o que é impossível. Logo, o máximo não existe.


Exercício 14 — nível ★★★☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{3+\frac{1}{n}:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Resultado

\[ \sup A=\max A=4. \]

\[ \inf A=3. \]

O mínimo não existe.

Resolução

Os elementos do conjunto são:

\[ 4,\ \frac72,\ \frac{10}{3},\ \frac{13}{4},\ldots \]

Com efeito, para \(n=1\), obtém-se:

\[ 3+\frac11=4. \]

À medida que \(n\) cresce, o termo \(\displaystyle \frac1n\) diminui. Logo, também \(3+\displaystyle \frac1n\) diminui.

O primeiro elemento é, pois, o maior do conjunto.

Por conseguinte:

\[ \sup A=\max A=4. \]

Além disso, para todo o \(n\geq1\), tem-se:

\[ 3+\frac1n>3. \]

Logo, \(3\) é um minorante de \(A\).

Mostremos que é o maior dos minorantes.

Seja \(\varepsilon>0\). Pela propriedade arquimediana existe \(n\in\mathbb N\) tal que:

\[ \frac1n<\varepsilon. \]

Então:

\[ 3+\frac1n<3+\varepsilon. \]

Encontrámos, assim, um elemento de \(A\) menor do que \(3+\varepsilon\).

Pela caracterização do ínfimo:

\[ \inf A=3. \]

Visto que \(3\notin A\), o mínimo não existe.


Exercício 15 — nível ★★★☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{2+\frac{(-1)^n}{n}:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Resultado

\[ \inf A=\min A=1. \]

\[ \sup A=\max A=\frac52. \]

Resolução

Separemos os casos em que \(n\) é par dos casos em que \(n\) é ímpar.

Se \(n\) é par, então \((-1)^n=1\), pelo que os elementos correspondentes são:

\[ 2+\frac1n. \]

Para \(n=2\) obtém-se:

\[ 2+\frac12=\frac52. \]

Para os restantes valores pares de \(n\), o termo \(\displaystyle \frac1n\) é mais pequeno. Logo, o valor máximo entre os termos de índice par é \(\displaystyle \frac52\).

Se \(n\) é ímpar, então \((-1)^n=-1\), pelo que os elementos correspondentes são:

\[ 2-\frac1n. \]

Para \(n=1\) obtém-se:

\[ 2-1=1. \]

Para os restantes valores ímpares de \(n\), o termo \(\displaystyle \frac1n\) é mais pequeno, e portanto \(2-\displaystyle \frac1n\) é maior do que \(1\).

Segue-se que o menor valor de todo o conjunto é:

\[ 1. \]

Como \(1\in A\), temos:

\[ \inf A=\min A=1. \]

O maior valor do conjunto é, por sua vez:

\[ \frac52. \]

Também este valor pertence a \(A\), pois obtém-se para \(n=2\).

Por conseguinte:

\[ \sup A=\max A=\frac52. \]


Exercício 16 — nível ★★★☆☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{x\in\mathbb R:0<x<1\right\}\cup\{2\}. \]

Resultado

\[ \inf A=0. \]

\[ \sup A=\max A=2. \]

O mínimo não existe.

Resolução

O conjunto é formado por duas partes:

\[ (0,1) \]

e pelo único elemento:

\[ 2. \]

Todos os elementos do intervalo \((0,1)\) são menores do que \(1\), ao passo que \(2\) pertence ao conjunto.

O maior valor do conjunto é, pois, \(2\).

Consequentemente:

\[ \sup A=\max A=2. \]

Estudemos agora o comportamento inferior.

Todos os elementos do conjunto são positivos, pelo que \(0\) é um minorante.

Além disso, os elementos do intervalo \((0,1)\) podem ser escolhidos arbitrariamente próximos de \(0\) pela direita.

Logo, nenhum número maior do que \(0\) pode ser um minorante.

Por conseguinte:

\[ \inf A=0. \]

Visto que \(0\notin A\), o mínimo não existe.

O elemento isolado \(2\) altera o supremo, mas não altera o ínfimo do conjunto.


Exercício 17 — nível ★★★★☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{x\in\mathbb R:x^2>4,\ -5<x<3\right\}. \]

Resultado

\[ \inf A=-5, \qquad \sup A=3. \]

O conjunto não possui máximo nem mínimo.

Resolução

Estudemos separadamente as duas condições que definem o conjunto.

A inequação:

\[ x^2>4 \]

equivale a:

\[ x<-2 \qquad\text{ou}\qquad x>2. \]

Além disso, deve verificar-se:

\[ -5<x<3. \]

Intersectando as condições obtemos:

\[ A=(-5,-2)\cup(2,3). \]

O conjunto é, portanto, formado por dois intervalos abertos.

O menor valor de que os elementos se podem aproximar é \(-5\), mas \(-5\notin A\). Por isso:

\[ \inf A=-5. \]

O maior valor de que os elementos se podem aproximar é \(3\), mas \(3\notin A\). Logo:

\[ \sup A=3. \]

Visto que o ínfimo não pertence ao conjunto, o mínimo não existe.

Visto que o supremo não pertence ao conjunto, o máximo não existe.

Observemos que o «buraco» entre \(-2\) e \(2\) não altera nem o ínfimo nem o supremo: estes dependem apenas do comportamento mais baixo e mais alto do conjunto.


Exercício 18 — nível ★★★★☆

Determinar o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo do conjunto:

\[ A=\left\{\frac{(-1)^n n}{n+1}:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Resultado

\[ \sup A=1. \]

\[ \inf A=-1. \]

O conjunto não possui máximo nem mínimo.

Resolução

Para determinar o supremo e o ínfimo convém distinguir os termos de índice par dos de índice ímpar.

Se \(n\) é par, então:

\[ (-1)^n=1. \]

Os elementos correspondentes do conjunto são, pois:

\[ \frac{n}{n+1}. \]

Para \(n=2,4,6,\ldots\) obtemos:

\[ \frac23,\ \frac45,\ \frac67,\ \frac89,\ldots \]

Podemos reescrever tais termos na forma:

\[ \frac{n}{n+1} = 1-\frac1{n+1}. \]

Visto que \(\displaystyle \frac1{n+1}>0\), cada termo é estritamente menor do que \(1\).

Além disso, à medida que \(n\) cresce, o termo \(\displaystyle \frac1{n+1}\) torna-se cada vez mais pequeno e tende para \(0\). Consequentemente, os valores

\[ \frac{n}{n+1} \]

aproximam-se arbitrariamente de \(1\) sem nunca o atingirem.

O número \(1\) é, portanto, um majorante do conjunto.

Além disso, para todo o \(\varepsilon>0\), existe um índice par suficientemente grande tal que:

\[ \frac{n}{n+1}>1-\varepsilon. \]

Pela caracterização do supremo segue-se que:

\[ \sup A=1. \]

Visto que nenhum elemento do conjunto é igual a \(1\), o máximo não existe.

Consideremos agora os índices ímpares.

Se \(n\) é ímpar, então:

\[ (-1)^n=-1. \]

Os elementos correspondentes do conjunto são:

\[ -\frac{n}{n+1}. \]

Para \(n=1,3,5,\ldots\) obtemos:

\[ -\frac12,\ -\frac34,\ -\frac56,\ -\frac78,\ldots \]

Reescrevemos estes termos como:

\[ -\frac{n}{n+1} = -1+\frac1{n+1}. \]

Visto que \(\displaystyle \frac1{n+1}>0\), todos estes valores são estritamente maiores do que \(-1\).

Além disso, à medida que \(n\) cresce, o termo \(\frac1{n+1}\) tende para \(0\), e portanto os valores

\[ -\frac{n}{n+1} \]

aproximam-se arbitrariamente de \(-1\) sem nunca o atingirem.

O número \(-1\) é, pois, um minorante do conjunto.

Além disso, para todo o \(\varepsilon>0\), existe um índice ímpar suficientemente grande tal que:

\[ -\frac{n}{n+1}< -1+\varepsilon. \]

Pela caracterização do ínfimo segue-se que:

\[ \inf A=-1. \]

Visto que nenhum elemento do conjunto é igual a \(-1\), o mínimo não existe.

Concluímos, pois, que:

\[ \sup A=1, \qquad \inf A=-1. \]

ao passo que o conjunto não possui máximo nem mínimo.


Exercício 19 — nível ★★★★☆

Verificar, usando a caracterização do supremo, que:

\[ \sup(2,7)=7. \]

Resultado

\[ \sup(2,7)=7. \]

Resolução

Para demonstrar que \(7\) é o supremo do conjunto \(A=(2,7)\), devemos verificar duas condições.

A primeira condição exige que \(7\) seja um majorante de \(A\).

Com efeito, se \(x\in(2,7)\), então:

\[ x<7. \]

Por maioria de razão:

\[ x\leq 7. \]

Logo, \(7\) é um majorante.

A segunda condição exige que, para todo o \(\varepsilon>0\), exista um elemento \(x\in A\) tal que:

\[ 7-\varepsilon<x. \]

Seja, pois, \(\varepsilon>0\).

Se \(0<\varepsilon<10\), consideremos:

\[ x=7-\frac{\varepsilon}{2}. \]

Então:

\[ 2<x<7 \]

pelo que \(x\in(2,7)\).

Além disso:

\[ x=7-\frac{\varepsilon}{2}>7-\varepsilon. \]

Encontrámos, assim, um elemento do conjunto maior do que \(7-\varepsilon\).

Se, pelo contrário, \(\varepsilon\geq10\), basta escolher \(x=3\).

Com efeito:

\[ 3\in(2,7) \]

e

\[ 3>7-\varepsilon. \]

Em qualquer dos casos, para todo o \(\varepsilon>0\), existe \(x\in A\) tal que:

\[ 7-\varepsilon<x. \]

Pela caracterização do supremo concluímos que:

\[ \sup(2,7)=7. \]


Exercício 20 — nível ★★★★★

Verificar, usando a caracterização do ínfimo, que:

\[ \inf\left\{\frac1n:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}=0. \]

Resultado

\[ \inf\left\{\frac1n:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}=0. \]

Resolução

Ponhamos:

\[ A=\left\{\frac1n:n\in\mathbb N,\ n\geq1\right\}. \]

Para demonstrar que \(0\) é o ínfimo de \(A\), devemos verificar duas condições.

A primeira condição exige que \(0\) seja um minorante de \(A\).

Com efeito, para todo o \(n\geq1\), tem-se:

\[ \frac1n>0. \]

Logo:

\[ 0\leq \frac1n \qquad \forall n\geq1. \]

Assim, \(0\) é um minorante do conjunto.

A segunda condição exige que, para todo o \(\varepsilon>0\), exista um elemento de \(A\) menor do que:

\[ 0+\varepsilon=\varepsilon. \]

Seja, pois, \(\varepsilon>0\).

Pela propriedade arquimediana existe \(n\in\mathbb N\) tal que:

\[ n>\frac1\varepsilon. \]

Desta desigualdade resulta:

\[ \frac1n<\varepsilon. \]

Mas \(\frac1n\in A\). Logo, para todo o \(\varepsilon>0\), encontrámos um elemento \(x\in A\) tal que:

\[ x<0+\varepsilon. \]

Pela caracterização do ínfimo segue-se:

\[ \inf A=0. \]

Por fim, observemos que \(0\notin A\), pelo que \(A\) não possui mínimo.


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  • Análise Matemática 1

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